Lembrarás  escrito em terça 02 fevereiro 2010 13:34

Foto Merege

 

Magoado caminho só e triste

vou aos lugares que passamos

momentos bons da minha vida,

vejo o sol queimando meu rosto

e o desgosto de nunca ter tido!

 

Sofrido, sigo ainda adiante e lá

bem distante sei que tu estarás

deleitando nas alegrias de antes.

 Tenho só a lágrima que escorria

na fria lembrança de uma tarde!

 

Arde o coração e o soluço vem

ao consolo do peito que já sem

jeito adormece nalguma palavra

de sílabas que na estrada se foram

e por esquecimento eu não disse!

 

Sei que lembrarás, caminharás,

ouvirás a minha voz onde quer

que estejas e uma saudade atróz

cairá sobre ti com a mesma frieza

da dor que me causastes... Verás!

 

                Valdir Merege Rodrigues

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Queria Viver Feliz  escrito em sábado 09 janeiro 2010 13:29

Foto: Valdir Merege

 

Como eu queria correr

Pelas estradas da minha

Terra nesta manhã fria,

Sentir o vento congelar

A ponta do meu nariz!

 

Sair sem rumo, curtir

A chuva e tal atleta

Bel formoso me perder

Em tantas alegrias

Pelas cercanias do lugar!

 

Poder observar as gotas

Em folhas molhadas

Das árvores sobre pedras

Das ribanceiras da vida

Que não pude removê-las!

 

Nos longos anos tragados

Pelo tempo que passou

Tão depressa e se foi...

Deslizando por estas veredas

De planícies esplendidas!

 

Poder sorver da névoa

Matinal e respirar profundo

O sabor do acontecer...

Sentir a brisa e a relva,

Sobre as lágrimas que caíram!

 

Na saudade e na beira

Do Caminho o garbo airoso

Do passado já distante

Renascer em cada passo

Que nos caminhos esbatem!

 

Se me foi um eterno

Desejo de contemplar

Sempre as mesmas coisas

Em lembranças perdidas...

Nunca soube demovê-las!

Vem me ensinar então

Tirar do que faz sofrer

Este meu pobre coração

Das estradas por onde passo

Queria ao menos despir-me!

 

Do cansaço em terno abraço

Ao que passou e dizer:

- Verei no tempo o sol nascer!

Como eu queria correr...

Sentir o vento e viver feliz!

 

                                                                                        Valdir Merege Rodrigues

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Serra do Mar  escrito em terça 05 janeiro 2010 16:49

Foto Valdir Merege

 

Deixa-me olhar e ver a serra

deste lado, bem onde a terra

se encrespa numa verdejante

relva em alcatifa a contornar

a vista da fotografia do lugar

em meio a neblina e nuvens:

- Uma tela eu vou pintar!

 

Deixa-me tatear, sentir a terra

sem lodo, desta enorme serra,

cuja crista dá aos viandantes

alvos prazeres e certa ênfase

ao cantar às perdidas brumas

solitário poema ao vento:

- Quero cada vez mais amar!

 

Deixa-me folgar no tempo,

na terra, deste lado da serra

onde se vê a altaneira crista

voltada sempre ao nascente

à sentir a poesia do raio solar

em simétricos versos típicos:

- É o hino do seu eternamente!

 

Deixa-me estar com esta bela

serra das verdes matas do lobo

guará, que vem e inspira a arte

e o poeta compositor, pautando

doce verso em óleo sobre tela

ao meditar um épico ao tópico:

- É um paraíso a Serra do Mar!

 

                               Valdir Merege Rodrigues

 

 

 

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Noite de Natal  escrito em quinta 31 dezembro 2009 17:56

Como é triste a tristeza de ser triste, quando se está só, sem ter em que pensar e na dor da solidão sentir o pesar no choro das águas que se vão para o mar. Este é o único e mais autêntico sentimento “eloqüente” que se pode ter ao sentir os respingos da água esbatendo-se por sobre as pedras que ali estão. Então, no sítio se faz vida sobre a terra quente que a gente passa a admirar. Um mudo novo que surge com o cantar do galo ao alvorecer e termina com o desabrochar da flor, Rainha da Noite, de fragrância que inebria... Branca como a areia ao redor do meu pequeno ribeirão, que, até o nome “Água Fria” faz gelar todo e qualquer coração.

 

Ali, frente ao rancho todo torto sentado, rádio de pilha ligado e a canção que eu não esperava... Rancho Fundo, interpretada por Chitãozinho e Chororó. Pensava eu no moreno da viola que, num desafio embalava sua própria introspecção e por si adentro caminhava, enquanto seus dedos deslizavam sem medos em seus melancólicos tons, atingindo o âmago bucólico da imaginação. E no repente levanta-se a serpente em ondas de mágoas e seus dentes pontiagudos crava na sombra da poesia que a alma da gente envenena. Devo estar morto! Murmuro em vão.

 

O arrulhar das pombas sinalizam a época de acasalamento, se aninham no velho pé de angico, fico no isolamento total, fugindo até de mim mesmo... Assim, no sítio encontro a paz e não critico, nem sou criticado por nada, nem quando a noite vem! Não há luz, mas há o encanto até no coaxar dos sapos na lagoa que reflete o brilho das estrelas revelando ao mundo o céu do mês de dezembro.

 

A boa cachaça “Providência” tem na garrafa a chave das algemas do meu departamento censor, e me embebeda, rechaça todo e qualquer tormento que existe e me dá o imenso prazer de estar só no sítio que não tem dono e nem é de ninguém, está ao léu gerando lamentos que se perdem na imensidão dos discretos filhos da terra. Encerro no peito o jeito caipira de ser e vou me refrescar, bem protegido pelos pinheiros que simbolizam a existência utópica do lugar.

 

Inda, tenho na falange do dedo médio o anel dourado que cintila, destila lembranças que não voltam nunca mais. Lembranças do séqüito ao som da marcha nupcial que não houve! Ao abrir a porta do rancho que me aninha, abrigo nele todas as minhas desditas e os meus sofrimentos... Sítio do “Rancho Torto”, assim que o chamo agora, bem me lembro, era o dia vinte e três de dezembro que me veio à mente como raio, numa língua de fogo, a imagem da noiva que jamais existiu! Duas lágrimas escorreram por sobre o meu nariz transformando-se numa só gota em sua ponta, apontada para o chão e bem de leve, levemente no “te gosto muito, mas tu não me entendes” pela falta do não saber se expressar, quem sabe? Fez-me chorar e, essa gota, toda minha bonança, caída sobre a mão direita que continha a aliança... Brilhou com tamanho esplendor que o sítio, num mágico encanto, pela primeira vez viu em seu rancho um enfeite de Natal.

                                                                                              Valdir Merege Rodrigues

                                                                                      

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Bom Demais  escrito em domingo 20 dezembro 2009 00:16

 

Foto Merege/Ilha do Mel/PR

 

Já imaginaram a gente se encontrado

numa praia brasileira

a luz da lua cantando

versos de cultura... Sepultura

de intelectos... Alegria verdadeira!

                                    Valdir Merege Rodrigues

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